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ILUSÕES DO AMANHÃ Por que eu vivo procurando um motivo de viver, Se a vida às vezes parece de mim esquecer? Procuro em todas, mas todas não são você. Eu quero apenas viver, se não for para mim, que seja pra você. Mas às vezes você parece me ignorar, Sem nem ao menos me olhar, Me machucando pra valer. Atrás dos meus sonhos eu vou correr. Eu vou me achar, pra mais tarde em você me perder. Se a vida dá presente pra cada um, o meu, cadê?
Será que esse mundo tem jeito? Esse mundo cheio de preconceito. Quando estou só, preso na minha solidão, Juntando pedaços de mim que caíam ao chão, Juro que às vezes nem ao menos sei, quem sou. Talvez eu seja um tolo, que acredita num sonho. Na procura de te esquecer, eu fiz brotar a flor. Para carregar junto ao peito, E crer que esse mundo ainda tem jeito. E como príncipe sonhador... Sou um tolo que acredita, ainda, no amor.' PRÍNCIPE POETA (Alexandre Lemos - APAE)
Escrito por Leandra Migotto Certeza às 10h20
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Matéria sobre ensaio fotográfico em fórum internacional
http://www.sxpolitics.org/mambo452/index.php?option=com_content&task=view&id=135
Projeto brasileiro debate deficiência e sexualidade durante conferência do IASSCS
Por Marina Maria*
De 27 a 29 de julho de 2007, foi realizado em Lima, no Peru, o VI Congresso Internacional Prazeres Des/Organizados - Corpos, Direitos e Culturas em Transformação, promovido pela Associação Internacional para o Estudo da Sexualidade, Cultura e Sociedade (IASSCS). Integrantes do Sexuality Policy Watch participaram das atividades do congresso, na Universidad Cayetano Heredia, que se consolidou como um espaço de debate sobre direitos sexuais nos novos contextos políticos e culturais da América Latina e no resto do mundo.
Entre os trabalhos destacados nesta edição está o de Leandra Migotto Certeza, jornalista brasileira e ativista de direitos humanos que ficou em segundo lugar na categoria Apresentação de Pôster, com o projeto Fantasias Caleidoscópicas . Com apoio da IASSCS, a jornalista participou do evento e apresentou parte do ensaio fotográfico da fotógrafa Vera Albuquerque, em que pessoas com deficiência (física, auditiva, visual, intelectual, múltipla e/ou surdocegueira) são convidadas a mostrar sua beleza e sensualidade para as lentes.
Segundo Leandra, o objetivo delas com estes registros é questionar e romper com o paradigma da beleza instaurado na sociedade atualmente e reforçado pela mídia, em geral. “Vera questiona o padrão de beleza instituído pelos meios de comunicação e pela moral dominante, ressaltando a possibilidade de uma democratização do prazer, uma igualdade de direitos sexuais, uma disposição das mentes (e de corações) contra os juízos prévios e os pré-conceitos”, destaca Leandra.
O projeto teve início em 2004, com a proposta de expor as fotos artísticas em espaços públicos, como museus, universidades e centros culturais, no Brasil e no exterior e, futuramente, gerar dois livros, um com as fotos e outro com as entrevistas feitas por Leandra com as pessoas fotografadas. No momento, o projeto busca parcerias com empresas e organizações não-governamentais para continuar.
Já o convite para participar do VI Congresso Internacional Prazeres Des/Organizados foi feito por Maria Esther Mogollón, jornalista e mestre em Gênero, Sexualidade e Saúde Reprodutiva pela Universidad Peruana Cayetano Heredia e integrante do Movimiento Amplio de Mujeres Fundacional (MAM).
Durante o evento, Leandra foi uma das debatedoras de uma mesa coordenada por Maria Esther Mogollón com o tema Sexualidad y Mujeres con Discapacidad, junto com Maria Rosa Pimentel, Madezcha Cépeda Basán e Marta Montoya, mulheres peruanas também com deficiência integrantes da MAM. As participantes procuraram romper com estigmas em torno do tema sexualidade de pessoas com deficiência e, a partir disso, defender o direito à participação deste grupo, ainda em situação de vulnerabilidade. Marta, por exemplo, que nasceu com deficiência visual, compartilhou sua experiência como mãe de dois filhos, e Madezcha deu um depoimento sobre sua vida após acidente que deixou seqüelas físicas em seu corpo e, principalmente, falou sobre sua sexualidade.
Além das fotos e do debate, a jornalista expôs, junto a cartoons produzidos por Ricardo Ferraz, um panorama sobre a realidade da pessoa com deficiência no Brasil, denunciando que a sexualidade e outros aspectos relativos a esta parcela da população não são, em geral, trabalhados. Ao mesmo tempo, que dados do Censo Demográfico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2000 mostram que existem 24,5 milhões de brasileiros(as) com deficiência – o equivalente a 24,5% da população brasileira – o que se observa, na prática, é que pessoas com deficiência estão inseridas num constante ciclo de invisibilidade. Assim, não são contempladas por políticas públicas, não são incluídas em projetos sociais em desenvolvimento, tanto na esfera governamental quanto na da sociedade civil organizada, e sequer mencionadas de forma transversal em pesquisas e estudos sobre distintas temáticas.
Com relação à abordagem do tema no congresso, Leandra informou que “infelizmente, mais uma vez, o tema da deficiência não foi sequer citado por 99% dos(as) palestrantes. É uma realidade que não pode ser mais esquecida pelas pessoas que trabalham pelos Direitos Humanos”. Apesar disso, ela avalia sua participação no VI Congresso Internacional Prazeres Des/Organizados - Corpos, Direitos e Culturas em Transformação e a premiação de seu trabalho como marcos na discussão em torno do direito de pessoas com deficiência vivenciarem suas experiências sexuais e afetivas. “Muitas dessas vozes (de pessoas com deficiência) foram ‘ouvidas’ por meio das imagens e dos depoimentos que apresentei no congresso, junto aos dados sobre a deficiência no Brasil. Foi sem dúvida, um momento histórico”, finaliza.
Mais informações sobre o trabalho de Leandra Migotto Certeza: Blog: http://lemc.zip.net E-mail: inclusaosocial@yahoo.com.br
Escrito por Leandra Migotto Certeza às 23h49
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Matéria sobre ensaio fotográfico em fórum internacional
http://www.sxpolitics.org/mambo452/index.php?option=com_content&task=view&id=134 Brazilian project debates disability and sexuality during IASSCS Conference
By Marina Maria*
In the International Conference Dis/organized – Changing bodies, rights and cultures, carried out in June, in Peru, and promoted by the International Association for the Study of the Sexuality, Culture and Society (IASSCS), Leandra Migotto Certeza – a Brazilian journalist and human rights activist – received the second place award in the Poster Presentation category with the project Kaleidoscopic Fantasies, developed in partnership with the photographer Vera Albuquerque. The project invited persons with physical, hearing, visual, intellectual or even multiple disabilities to express their beauty and sensuality to the photographer’ s lenses.
According to Leandra, their aim is to break through the dominant paradigm of beauty that pervades societies and is reinforced by the media: "Vera questions the standard of beauty institutionalized by the media and dominant morality. She also aims at democratizing pleasure, enhancing equality in sexual rights and de-stabilizing hearts and minds in what concerns pre-judgments and prejudice.” The project, which began in 2004, aims at exhibiting the photographs in public spaces, such as museums, universities and cultural centers, in Brazil and elsewhere. The publication of twin volumes is also planned. The first volume will publish the photos and the second will be dedicated to the interviews made by Leandra with the persons who have been photographed.
In the Lima IASSCS Conference, Leandra has also participated in a remarkable panel on Sexuality and Women with Disabilities, organized by Maria Esther Mogollón, who is member of the Movimiento Amplio de Mujeres Fundacional (MAM). The panel discussed and contested the sexual stigmas experienced disabled women and called for their full participation in sexual rights debates. The other participants were all peruvians: Maria Rosa Pimentel, Madezcha Cepeda Basan and Marta.
In addition to the awarded poster and the participation in the panel, Leandra has organized an exhibition of cartoons produced by Ricardo Ferraz, which portray the realities of persons living with disabilities in Brazil. Once again, the exhibition called attention to aspects of their experiences aspects that are silenced in particular sexuality. It is important to recall that data provided by the Brazilian Census Bureau (IBGE) informs that the number of persons living with disabilities amount to 24.5 million (roughly thirteen percent of the total population), whose need and aspirations are not consistently researched nor recognized by public policy agendas nor by social development programs implemented by civil society organizations.
In Leandra’s view the theme of sexuality and disability was not given enough attention by the conference. She remarked that: “Once again and unfortunately the subject was not cited by 99 percent of speakers, even when the sexuality of people living with disability cannot anymore be evaded by those who work and are committed to human rights”. Even so, she considers that the award she received for her work, the plenary panel and the cartoon exhibition must be seen as landmarks in the ongoing struggle for the rights of persons living with disabilities in the domains of love, affection and sexuality: "Their voices have been 'heard' through images and the testimonies presented in the conference”. It was undoubtedly a historical moment. "
More information about the work of Leandra Migotto Certeza: Blog: lemc.zip.net E-mail: inclusaosocial@yahoo.com.br
Escrito por Leandra Migotto Certeza às 23h48
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"O preconceito é tão sutil
Fere aos poucos
como agulhas de acumpuntura
Um gesto que parece ternura
machuca
E inunda a alma"
Leandra Migotto Certeza - 13/10/07
Escrito por Leandra Migotto Certeza às 10h24
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No céu nuvens de cinza Aqui o lilás dos campos de lavanda
No céu constelações sem fim Aqui sonhos passageiros de uma estrela que amanhece em meu peito
No céu a lua inteira Aqui o coração pela metade
García Lorca
Escrito por Leandra Migotto Certeza às 10h22
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O amor transforma
Por Leandra Migotto Certeza* - 23/05/07.
Quando eu encontrei minha alma gêmea, vi que o ser humano ainda é capaz de amar. Marcos dos Santos tem um olhar doce. Uma ternura... Sorri de dentro para fora. É puro e verdadeiro. Brinca feito criança na piscina do SESC. Fala o que sente. Sabe o valor de um prato de arroz com feijão. Trabalhou muito para conquistar o pequeno teto que lhe abriga. Construiu cada pedacinho com seu próprio suor. É o homem que eu amo! É a alma que habita meu coração. Falar dele é muito intenso. É um oceano de emoções.
Escrito por Leandra Migotto Certeza às 20h07
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Eu sou a mulher mais feliz do mundo. Sou MUITO amada, e ganhei o maior presente da vida: uma pessoa íntegra. Infelizmente, muito rara hoje em dia. Com ele aprendo a falar mais baixo. A ter paciência. A ter calma. A ser humilde. A apenas ser. Estar com ele me faz crescer. Ser minha essência. Deixo de criar mais rugas na testa para rir das coisas simples, como comer bolo de chocolate com chá. Dormir abraçado respirando o mesmo ar. Sentir o calor da pele. Fazer um carinho no rosto. Colocá-lo para dormir.
Escrito por Leandra Migotto Certeza às 20h07
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Marcos me faz bem. Enche meu espírito de luz. Sinto-me segura ao seu lado. Amada. Desejada. Querida. O carinho com que ele acaricia o meu cabelo é tão único... Ele sempre me viu como uma pessoa. Para ele não sou uma deficiente. Uma menina. Uma coisa estranha. Uma eterna criança. SOU. Ele É. Nós somos! Talvez não existam palavras para explicar. Não, eu é que não tenho o dom de colocá-las para fora da alma e exprimir o quanto é vivo esse amor. E o que significa amar.
Escrito por Leandra Migotto Certeza às 20h07
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Escrever para mim é respirar. Não consigo viver sem as palavras. O mundo precisa saber que ainda é possível evoluir. Estender a mão a quem está do nosso lado. Nos amamos porque temos plena certeza que o que mais importa na vida é nos ajudarmos. Ele sempre foi generoso e solidário com quem ama, mesmo com quem não o conhece. Marcos não é capaz de ficar com 1 centavo que não seja dele. Sempre dividi um prato de comida. Fica com frio para esquentar uma criança. Todo o dia, que vem até a minha casa cumprimenta o vigia que trabalha no consultório em frente. É simpático. Conversa com todo mundo na rua e dentro das casas. Sorri. Fala sempre a verdade.
Escrito por Leandra Migotto Certeza às 20h07
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Estranho falar que ele é assim? É que hoje, infelizmente, existem muitas pessoas que se fecharam em seu egoísmo. Vivem em uma redoma. Têm medo de serem que são. Colocam máscaras e fingem ser algo que não são. Marcos não é perfeito. É um ser humano. É teimoso, cheio de manias, turrão, bate o pé quando não quer alguma coisa, se pela de medo de ir ao médico, não gosta de cuidar da saúde, é bagunceiro, esquece chaves, óculos, e blusas por aí, é distraído, e às vezes muito triste...
Escrito por Leandra Migotto Certeza às 20h07
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Ao seu lado eu me libertei de pré-conceitos, quebrei tabus, desfiz mitos. Aos 28 anos, quando fui amada por inteiro, apossei-me de mim mesma. Não tenho mais que provar nada para ninguém, muito menos para mim. Sinto-me confortável dentro do meu corpo. Sou uma mulher amada e desejada. Sou uma super tia-mãe das crianças que chegam até mim. Sou FELIZ. Minha alma gêmea tirou o medo de me assumir. Pena que perdi tanto tempo tentando viver uma perfeição que não é humana... Hoje a diversidade é tão natural...
Escrito por Leandra Migotto Certeza às 20h06
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Estamos juntos há 1 ano e 6 meses. Até agora, o que mais me marcou em nossa relação foi a minha verdadeira aceitação. É por isso que sinto necessidade de falar sobre. Comigo foi assim: sempre vivi ouvindo que eu devia ser como os outros. Como a maioria. “O mundo não foi feito para a minoria. As pessoas são normais. Normal é morar numa casa legal, ter boas roupas, carro, estudar, viajar, ter um emprego, ter pernas, andar, poder dar à luz a um filho, ter uma altura mediana, fazer parte da sociedade”. Mas que sociedade? Falar da desigualdade é uma coisa, vivê-la é completamente diferente. Quando chego na comunidade onde Marcos mora, os vizinhos brigam para ver quem vai levantar a minha cadeira de rodas e subir-me pelas escadas. Na minha casa, meu pai se incomoda muito em ter que colocar minha cadeira de rodas dentro do carro, quando vamos almoçar num restaurante.
Escrito por Leandra Migotto Certeza às 20h06
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Na casa do meu noivo sou mulher. Converso na porta com as vizinhas, peço que batam um bolo para mim, cuido das crianças quando elas estão ocupadas. Ser pequena, andar em cima de uma cadeira de rodas, e ter um corpo um pouco mais diferente do que o delas não importa. Comem da minha comida. Aceitam o meu dinheiro quando compro algo que vendem. Ouvem os meus conselhos. Aceitam o meu convite para ir a lanchonete. Se sentem seguras em deixar seus filhos comigo.
Escrito por Leandra Migotto Certeza às 20h06
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Na minha casa me tratam feito criança. Tudo fica alto para que eu não possa alcançar sozinha. Tem tapetes por toda a casa. Não tenho privacidade em meu próprio quarto! Para eles, meu noivo é “mais um para dar trabalho”. Um pobre e deficiente. Uma escolha errada. Sexo? É a maior loucura que eu não deveria fazer. É como seu eu estivesse brincando de ser mulher. Quando era adolescente usar saia era proibido. Passar batom então... Tento não os culpar e, principalmente, não me culpar. Mas a responsabilidade é de ambos. Eu, que permiti ser tratada a vida toda dessa forma; e deles, que levaram anos para começar a me enxergar como realmente sou (se é que enxergam...). Infelizmente, um processo bem provável em um país sem caráter como o Brasil, que prefere esconder as todas as diferenças debaixo do tapete.
Escrito por Leandra Migotto Certeza às 20h06
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Esperança! É a palavra. Ainda bem que existem alguns Marcos por aí. Temos o melhor clima, a terra mais saudável, os animais mais bonitos, a flora mais rica em diversidade, a cultura mais criativa, as pessoas mais amáveis, mas muito a evoluir. A sociedade é formada por pessoas. E as pessoas se transformam. O amor transforma!
*Leandra Migotto Certeza é escritora, jornalista, colunista, e ativista social. BLOG: http://lemc.zip.net. E-mail: inclusaosocial@yahoo.com.br. Textos publicados: http://www.saci.org.br/index.php?modulo=busca¶metro= ou http://sentidos.uol.com.br/canais/maisMaterias.asp?subcat=65&canal=colunistas
Escrito por Leandra Migotto Certeza às 20h05
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